Retrospectiva do meu 2010

dezembro 29, 2010

Faz tempo que eu não posto aqui.  Me encontro num momento “sabático” em que acredito do fundo do meu coração que tenho mais a ouvir do que a acrescentar.

Masss, tendo-se em vista que estamos em vias de iniciar um novo ano – o nem-um-pouco-sonoro doismileonze – , achei que calharia fazer uma mini, simplista e reducionista retrospectiva do MEU 2010, em imagens e alguns trechos curtos, representando aquilo que de mais marcante aconteceu.

Aí vai.

  • O Filme:

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  • Musinha fashion:

Zooey Deschanel.

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  • Música:

Conheci e amei: banda Phoenix e o maldito da MPB Sérgio Sampaio.

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  • A alma gêmea.

As pessoas acham que a alma gêmea é o encaixe perfeito, e é isso que todo mundo quer. Mas a verdadeira alma gêmea é um espelho: a pessoa que mostra tudo que está prendendo você, a pessoa que chama a sua atenção para você mesmo, para que você possa mudar a sua vida. Uma verdadeira alma gêmea é provavelmente a pessoa mais importante que você vai conhecer, porque elas derrubam as suas paredes e te acordam com um tapa. Mas viver com uma alma gêmea para sempre? Não! Dói demais. As almas gêmeas só entram na sua vida para revelar a você uma outra camada de você mesma, e depois vão embora.

Em 2010 eu conheci. Em 2010 eu perdi. Não soube lidar com tanta sinceridade, com às vezes crueza, às vezes delicadeza. Acima de tudo, não soube lidar com um espelho de alta resolução, me jogando na cara certas coisas e constantemente me acordando para a realidade. Mesmo tendo me levado às alturas, numa leveza sublime, ao fim e ao cabo, ele só me fez trazer mais perto da superfície, mais perto do chão e da vida real, no que eu posso chamar de peso sustentável e até aconselhável. Às vezes as palavras eram facadas, banhos de água fria, mas o auto-conhecimento que adquiri, com a ajuda dele, é inegável. Tenho certeza que ajudei ele também, que clarifiquei sua visão, que abri seus olhos para muitas coisas. Above all, acho que nos amamos, sim, à maneira que nos foi possível. O fim era inevitável, e posso dizer, era previsível, desde o começo. E foi assim: ele foi fenecendo, se esvaindo, feito coisa fluida, etérea. Ele já não era mais tangível, ele cumpriu sua missão ao meu lado e partiu, na hora certa, assim como eu fiz com ele. Sua partida ainda é recente e é ferida aberta, mas era inexorável. Ele tem uma vida e uma energia dentro dele, as quais percebo que ainda não é apto a organizar direito, e por vezes se perde na ansiedade; mas tem um potencial enorme, e desejo que seja muito, muito feliz. Alma cremosa, te quero muito bem, voa e encontra tua felicidade.

  • uma foto vale por mil categorias:

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“And in the end, the love you take is equal to the love you make”!.

 

QUE VENHA 2011!!

Para a posteridade

novembro 21, 2010

A título de registro para a posteridade:

um anjinho me disse que “a ação precede a motivação”.

:)

agora que acabou,

novembro 13, 2010

agora, que acabou, eu vejo que nunca olhei pra ele. eu nunca fui capaz de realmente olhar pra ele. o máximo que eu conseguia era me enxergar pelo reflexo dos olhos dele.

eu sinto pena de mim
e da minha carência de tudo que não seja egoístico

eu olho pra trás e só lamento
mas já tá feito
e eu sabia que tava tudo se encaminhando pra isso
i saw it coming
e não dei a mínima
eu não fiz porra nenhuma
então bem feito
vê se apanha e aprende :)

Vincere

outubro 17, 2010

 

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“Não saia poraí gritando a verdade. Há tempo de silenciar. Há tempo de ser ator.”

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sedução de macho

outubro 12, 2010

Macho acredita que seduz somente fora do casamento. Quando se fixa demoradamente numa jovem, quando pisca o olho a uma estranha, quando dá em cima de uma beldade, quando examina a bunda de uma gostosa. Confia que flertar e soltar idiretas são suficientes para garantir seu domínio territorial. Sua tese é parecer disponível, ainda que comprometido.

(…)
Carrego, portanto, a certeza de que o maior sedutor não é o malandro, não é o esperto, mas o monogâmico. O fiel. O que tem olhos apenas para a sua patroa.

(…)

Nada mais ofensivo e perigoso do que um homem amando sua esposa.
 
(Fabrício Carpinejar, O maior sedutor, em Mulher Perdigueira, p. 19 – via Significantes)

sociedade utilitarista

outubro 12, 2010

“This is a world where everybody’s gotta do something. Ya know, somebody laid down this rule that everybody’s gotta do something, they gotta be something. You know, a dentist, a glider pilot, a narc, a janitor, a preacher, all that . . . Sometimes I just get tired of thinking of all the things that I don’t wanna do. All the things that I don’t wanna be. Places I don’t wanna go, like India, like getting my teeth cleaned. Save the whale, all that, I don’t understand that . . .”

—Barfly, 1987

Saramago

outubro 11, 2010

Oculta consciência de não ser,
Ou de ser num estar que me transcende,
Numa rede de presenças e ausências,
Numa fuga para o ponto de partida:
Um perto que é tão longe, um longe aqui.
Uma ânsia de estar e de temer
A semente que de ser se surpreende,
As pedras que repetem as cadências
Da onda sempre nova e repetida
Que neste espaço curvo vem de ti.

(In OS POEMAS POSSÍVEIS, Editorial CAMINHO, Lisboa, 1981. 3ª edição)

Daí que ontem em me deu um rompante cinematográfico e eu me peguei cortando os cabelos com raiva, muita raiva. Peguei uma tesoura grande do escritório do meu pai e me pus a picotar o cabelo todinho. Não foi uma atitude serena, pensada, feita com cuidado e muito menos com parcimônia. Eu fui picotando mesmo, blocos enormes, que se dissociavam violentamente de mim e caiam toscos e inertes no chão do meu quarto.

Depois disso eu nem tive aquele momento de depois, sabe? Aquele silêncio após o ato, silêncio reflexivo. Eu simplesmente voltei pra cadeira na frente do computador e fiquei compulsivamente dando f5 no Yahoo, no facebook; abrindo e fechando as janelas do word e do powerpoint com meus slides da pesquisa.
Claro que depois, bem depois, bem no fundo da noite, eu me pus a chorar baixinho, e aquela sensação horrível de solidão tomou conta até do meu dedinho do pé. Eu amassava minha tartaruga de pelúcia e derramava lágrimas de covardia nela.
E daí que hoje eu fui ajeitar a merda com o Kaká. Ele me chamou de “praticamente a garota interrompida”. Disse pra eu ficar calma, pq esses rompantes acontecem nas melhores famílias. 
Eu disse pra ele dar vazão à criatividade dele e não é que ele me fez um corte muito louco? Nunca tive o cabelo tão curtinho e repicado, me dava um nervoso enquanto ele brincava com aquela tesoura. Eu comecei a suar na cadeira. Mas daí ele ficava acariciando meu ego, dizendo que eu não compactuo com a estética da mulher portoalegrense, que eu devia ter nascido na França, que eu tinha um ar blasé e desapegado que era tudonessavida. E que um corte desconstruído tinha tudo a ver com a maneira que eu me vestia. Então tá.
Resultado: voltei pra casa mais feliz, com um curtinho-quase-nouvelle-vague [haha] [minha irmã vai me matar] e com a certeza que com um empurrãozinho, eu consigo ser um pouco corajosa.
Mas o inverno continua crescendo aqui dentro desse corpo, é óbvio.

cansei

outubro 2, 2010

Cansei. O excesso de ausência é gritante.

Amar pessoas por cujo afeto a gente tem que ficar constantemente implorando é muito cansativo.

Não quero mais ser a menina dos olhos de ng, não. Só dos meus próprios.

Vou seguir meu destino e regar minhas plantas.

Chega uma hora que o excesso de reticência deixa de ser charme pra virar só enrolation.

menina-dos-olhos wannabe

outubro 1, 2010

Você precisa de alguém que te dê segurança
Senão você dança, senão você dança.
Não nasci pra ser a putinha que o protagonista se diverte antes de encontrar a mocinha… Pelo menos não quando eu gosto do protagonista [senão até não me importaria... moralismo aqui não tá em questão].
Ah, só pra constar, eu posso até tentar fazer as vezes de mocinha, mas não sou mocinha típica, não. Sou estranha, bicho-do-mato, bizarra, pouco carismática e problemática demais para esse papel…
Clementine feellings
Mas… Queria ser a menina dos olhos dele, saca?

Acho que agora não dá mais.

Pingos nos is, please.
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