Publicado por: Gabriela em: Março 10, 2008
Leila Diniz nasceu em 1945 e balançou todos os estereótipos morais vigentes. Ela nunca se casou oficialmente, desfilou na beira da praia com um barrigão de grávida e tinha atitudes ousadas (como pedir cachaça no balcão do bar), tornando-se o maior símbolo da revolução sexual no Brasil nos 60’s. Imortalizada na voz de Rita Lee, o verso “Toda Mulher é meio Leila Diniz” bem como uma reportagem muito interessante que li no jornal local me incitaram reflexões nesta semana da mulher.
A tradição milenar arraigada no inconsciente coletivo é de mulheres cuja maior aspiração de vida consiste no casamento, nas lidas domésticas e nos filhos gordinhos, saudáveis e rosados. Há 40 anos, desde o surgimento da pílula anticoncepcional, a situação paulatinamente se modifica. O sexo agora pode ser por prazer e pode ser antes do casamento; a mulher migrou para o mercado de trabalho, ganhando seu próprio dinheiro.
Mas será que estamos chegando perto de ser meio Leila Diniz? Me parece que não. Acumulando tantos afazeres, e mulher sente-se na obrigação de ser perfeita e bem sucedida em tudo: na educação dos filhos, no casamento, no trabalho – bem como de manter uma maquiagem, um cabelo e um corpo impecáveis (sem estrias e tampouco celulite, é claro). Isso tudo sobre um salto de 10cm e sem perder a pose.
A pergunta é: será que isso é ser livre e independente? Leila Diniz, dizem os amigos que deixou (aos 27 anos, devido a um acidente de avião), não se preocupava em seguir padrões e tampouco em ser “diferente e revolucionária”. Ela era simplesmente Leila. Desfilou o barriga nas areias de Ipanema tão somente porque o médico disse que sol era bom para o bebê.
Como podemos nos obrigar a ser perfeitas em tarefas que foram ocupadas milenarmente pelo sexo oposto? Tentamos ser espetaculares em tudo, do escritório à cozinha, do quarto do marido ao quarto do bebê, como se ainda tivéssemos que provar nosso valor, como se tivessemos que provar pra não-sei-quem que somos perfeitas e indispensáveis. Por favor, vamos tentar viver com menos culpa. Ser livre não é ser perfeita em tudo. Sejamos mais espontâneas, reiventando nosso jeito de viver nessa nova sociedade de novas mentalidades, mas que ainda é deveras recente.
Oi ![]()
Seu blog está muitoo ótimo. Estava passando encontrei seu blog. Muito bom! Parabéns.
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Tchauu!
Tudo bem que eu ainda sou meio novinha pra falar sobre isso, mas não me culpo em não ser perfeita em tudo e nem procuro isso… mulher “perfeitinha” acaba ficando meio sem graça… todas igualzinhas, daí entraremos em uma nova ditadura, dessa vez não mais submetidas pelos homens, mas sim por nós mesmas!
Bjão
Março 10, 2008 às 12:51 am
PLÁÁÁÁÁÁÁÁÁÁGIO DE IDÉIA JORNALÍSTICA!